Um sonhador sem sonhos.

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Eu juro que sonhei. Não consigo me lembrar de nada. Um vazio invadiu meu cérebro. Ou parte dele. Sei lá. Mas tenho certeza que sonhei. Alguns lapsos de imagens começam a surgir. Espere! Estou tentando compôr as imagens.

Um photoshop neuro real. Estou conseguindo. Sim... sim... vejo uma lambreta. Estou sem capacete. Tem alguém comigo. Mas quem? Não consigo ver. Está de capacete. Que merda! Não consigo nem saber quem me acompanhou durante alguns microsegundos no extâse noturno. Sonhar é uma maravilha. Um momento insuperável de prazer.

Prazer, sim! Solitário, individual, egocêntrico. Afinal, sempre dizem que tudo que é bom é um sonho. Mas que vale tudo isso se não consigo lembrar. Talvez um pesadêlo. Daqueles que nos deixa amargurados. Daqueles que nos deixa com medo do próprio sono pode ser mais vantajoso. Pelo menos não dá para esquecer.

Por que lembramos mais do que é ruim. Esquecemos as flores, mas lembramos do cheiro da carniça. Das mazelas da vida. Do coração doente.

Caralho! Lembrei agora daquela música 'sonhar mas um sonho impossível'. Isso é demais para uma manhã ensolarada. Uma porrada no meu estomâgo. Não lembro do meu sonho, mas recordo os acordes dessa música idiota. Acho que estou num processo de mutação. Estou me tornando piegas. Um acéfalo. Um sonhador sem sonhos.