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Interfaces

A experiência é cisão que não separa - o pintor traz seu corpo para olhar o que não é ele, o músico traz seu corpo para ouvir o que ainda não tem som, o escritor traz a volubilidade de seu espírito para cercar aquilo que se diz sem ele -e é indivisão que não identifica - Cézanne não é a Montanha Santa Vitória, Mozart não é a Flauta Mágica, Guimarães Rosa não é Diadorim. A experiência é o ponto máximo de proximidade e de distância, de inerência e diferenciação, de unidade e pluralidade em que o Mesmo se faz Outro no interior de si mesmo.
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A Sobrevivência como Paixão

A satisfação de sobreviver, que é uma espécie de prazer, pode transformar-se numa paixão perigosa e insaciável. Ela cresce em função das oportunidades. Quanto maior o amontoado de mortos em meio aos quais, vivo, ergue-se o sobrevivente; quanto maior a freqüência com que ele experimenta tais amontoados, tanto mais vigorosa e impreterível tornar-se-á sua necessidade deles. As carreiras de heróis e mercenários confirmam que uma espécie de vício tem origem aí, um vício para o qual já não há remédio.

Futuro

Se soubesses mais a respeito do futuro, ainda mais pesado seria o passado.
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Elias Canetti

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